Publicado por: Chinelo de Meter o Dedo | Outubro 11, 2012

Escalada desportiva em Cuenca, Espanha

Férias de Montanha com crianças

Férias. Férias…

Não! Férias tem sempre que ser escrito assim: Férias!!! Ir para fora, ou para fora cá de dentro, com uma longa estrada ou com muitas horas de avião. Férias são férias e como tal merecem sempre um ponto de exclamação à frente. E nós em pulgas para saber como resultariam as nossas primeiras férias “fora de casa” com o pequeno budha. Sendo que o levaríamos connosco nas nossas aventuras, estes dias seriam uma surpresa não só para nós como para ele! Mas o mais importante era mesmo sair e trepar (Ai… trepar paredes…. [suspiro, muitos suspiros] A minha mente ainda tinha memórias do que isso era, mas o meu corpo já nem sabia muito bem em que é que tal consistia.

Sabendo o que pretendíamos, restava-nos reunir a malta e definir o destino.

Aquando da nossa primeira visita a Cuenca ficamos rendidos… e ficou no ar a expectativa de um dia voltar! Por isso, quanto ao destino, não nos foi difícil decidir, não andamos com coisas “ai, para onde é que vamos”, “ai, vamos para ali”, “não, para ali é que era”… Foi fácil, rápido e só não deu foi milhões.

Cuenca.

A cidade é acolhedora, um centro histórico lindíssimo, património da humanidade, bares com deliciosas tapas e um parque de campismo com umas instalações de luxo. Em Cuenca é rocha até perder de vista e a escalada, começa logo ali, sem a dita aproximação (é que nisto de levar a cria, a aproximação passa a ser um factor a ter em conta; carregar com o material de escalada mais os seus belos 13 ou 14kg às costas tem que se lhe diga e assim, é estacionar o carro e atravessar a rua e “dá às perninhas que já tens idade para isso”). A somar a tudo isto a vantagem de um “pé de via” bem tranquilo para crianças, estas eram sem dúvida razões de sobra para reunir unanimidade na escolha do destino.

E lá fomos.

Carrinha atulhada até cima que, a somar à parafernália do costume, leva cama de viagem, fraldas, toalhitas, mudas e mais mudas de roupa, livrinhos, carrinhos, bonequinhos e tudo o mais terminado em inho … Ah, pois é! Ter um filho não é impeditivo de nada, mas temos que nos adaptar! É toda uma outra logística a ter em conta.

Rodas ao caminho, viagem tranquila, o pequeno aguenta-se como um campeão, as conversas pré-escalada do costume (porque no regresso a conversa é outra): “ai que não escalo há 3 semanas”, “nem te admito que digas isso, eu não escalo há 3 meses” (moi meme); “e eu que tenho aqui uma lesão nem sei como vai ser” – a idade já não é o que era e aqui os trintões só se sabem queixar. E… primeira paragem: Gredos.

Já tinha estado em Gredos em Fevereiro de 2007. Na altura fui mais numa de companhia e passeio, deixei o Sérgio e o Alcino na plataforma gelada, eles foram à vida deles para paragens mais geladas e, como o frio não é para mim, acabei por conhecer os arredores da Serra de Gredos. Mas, após tantas histórias sobre este pequeno mas idílico local fiquei sempre com curiosidade e nada melhor do que aproveitarmos o início da primavera para visitarmos e proporcionarmos ao nosso pequeno uma primeira experiência de montanha!

O local é realmente muito belo, o degelo de início da primavera dá um aspecto muito especial e imponente, mas a caminhada para além de muito bonita foi um pouco penosa (não, não levava o Matias às costas, estava mesmo é em baixo de forma). Cruzamos prados cheios de flores de primavera, riachos de águas cristalinas até nos depararmos com aquelas paredes lindas e imponentes pinceladas por bocadinhos de neve. Lindo como só a natureza no seu estado rude e puro consegue ser.

Depois de nos deslumbrarmos com o circo de Gredos era altura de tratarmos do corpo, primeiro com uma visita obrigatório aos combinados no bar dos montanheiros, pratos soberbos confecionados com produtos da região e depois dormir, pois temos uma criança connosco e nós também estávamos a precisar de uma boas horas de sono. O Matias acabaria por descobriu o que é um frontal para que serve e adorou a ideia. Esta era também a nossa primeira noite juntos na nossa carrinha e na realidade a noite foi bem mais agitada do que esperávamos!

O dia seguinte foi para rumarmos ao nosso principal destino e instalarmo-nos.

Instalamo-nos num belo bungalow no Camping Cuenca, uma óptima opção para as primeiras férias com crianças. Abastecemos devidamente a casa mas ainda faltava algo…

Falta escalar! Falta pôr mãos nesta bela rocha e desfrutar do local, das paisagens das vias que tanto prazer nos dão. Falta enchermo-nos de magnésio, terra e pó. Falta dar um mergulho no rio para refrescar do calor.

E foi tudo isto que fizemos nos dias seguintes.

Escalamos vias que já conhecíamos; escalamos vias novas; exploramos sectores anteriormente visitados e aventuramo-nos por outros ainda desconhecidos; rompemos pele; encadeamos; caímos; queixamo-nos de estar em baixo de forma; das dores nos músculos; superamo-nos; incentivamo-nos; rimo-nos; inventamos vias novas (ou não seriamos nós tugas); fizemos a “siesta”, filmamos tudo e mais alguma coisa; tiramos fotos… enfim… foi tudo o que se espera de uma semana num sitio em que se vê rocha até ao horizonte, onde, apesar das temperaturas elevadas, se consegue escalar sempre à sombra, onde se vive ambiente fanático mas também tranquilo e até onde se pode ver o Luís Alfonso Félix a encadear um fantástico 8C+: Peor Maria. Muito bom poder assistir ao vivo a um encadeamento destes, encadeamento que soubemos pelo próprio estava na forja já algum tempo. O Matias fez amizades, apercebeu-se do que é o “pé mão” (na falta de vocabulário foi o que ele arranjou para descrever escalada), divertiu-se muito e nós também!

Mas não só de escalada rezaram estas férias.

Além de rompermos as mãos…

Das quedas…

Ainda houve tempo para a cultura.

Visitamos o centro histórico, presenciamos a festa religiosa da cidade, fizemos almoços e jantaradas bem regadas no nosso alpendre e viram-se filmes de escalada (intercalados pela Xana Toc Toc, pelo Elefante Babar ou pelo Pocoyo).

Foram umas férias em grande: boa companhia, boa escalada, alguns encadeamentos, tirou-se os dedos de misérias (pelo menos comigo assim foi)…  mas o que mais me agradou foi aperceber-me que o Matias se sentiu em pleno na vida ao ar livre e portou-se exemplarmente.

O regresso foi feito tranquilamente.

Reinava a boa disposição e a conversa já era outra: “e aquela via”; “e aquele passo”; “aquela queda”; “temos que ir ali para o ano”; “para a próxima podíamos ir para aquela escola ou a outra”.

Certamente um local a regressar pois o pequeno adorou, os papás adoraram e o Tio Fred e o Tio Ninó também!


Responses

  1. Matias disse:

    Olá! Olá! Olá!🙂

    E a (primeira) internacionalização:
    Hello! Hello! Hello!😀

    Férias muito fixes! Local espectacular! Amigos do melhor! E um budhinha riquinho!🙂

  2. Muito bom Sérgio😀 gosto imenso de vir ao teu blog, e ler… deixa-me a pensar que se calhar serei eu daqui a algum tempo a passar pelas mesmas coisas.. hehehe….
    um abraço

  3. Que férias boas. Tenho saudades do budinha.

    Beijinhos

  4. Filipe, obrigado pelos teus minutos despendidos nas nossas histórias!
    Espero que passes pelas mesmas e outras experiências, acima de tudo aceitar as mudanças na vida ultrapassa-las sem desistir da “montanha”!
    Abraço

  5. Natália ele esta bem perto🙂 só depende de ti!

  6. […] Foram as primeiras férias com crianças. Mas, o facto de levarmos o Matias, foi só um pormenor que tornou as férias especiais: assistir a este processo de ver uma criança pequena em plena natureza e meio ambiente (embora não tenha deixado de ser um desafio adaptar as nossas rotinas à sua presença) foi e tem vindo a ser cada vez mais interessante. […]

  7. […] Foram as primeiras férias com crianças. Mas, o facto de levarmos o Matias, foi só um pormenor que tornou as férias especiais: assistir a este processo de ver uma criança pequena em plena natureza e meio ambiente (embora não tenha deixado de ser um desafio adaptar as nossas rotinas à sua presença) foi e tem vindo a ser cada vez mais interessante. […]


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