Publicado por: Chinelo de Meter o Dedo | Março 4, 2013

Escalada Clássica Serra da Estrela: Abertura de Novas Vias

Depois de abrirmos a Parto Bravo voltamos à Serra da Estrela uma mão cheia de vezes. A maioria delas sem grandes resultados devido às condições do tempo mas, entretanto, o verão chegou e finalmente as coisas começaram a ganhar forma: o sector “O Pastor”, ao contrário do esperado, acabaria por ser o primeiro a ganhar vida!

Visto que a neve teimava em não aparecer, voltamos ao Sector Lagoa Comprida a fim de continuarmos a exploração: eu tinha em mente algumas linhas mas sem dúvida que estava em pulgas por me meter na óbvia linha das fissuras paralelas… Mas, mais uma vez o tempo fez das suas e, quando no dia 7 de Dezembro começamos a subir a montanha mais alta deste nosso pequeno país, deparamo-nos com muita água resultado de uma noite muito chuvosa.

No meio da chuva e nevoeiro, o penoso caminho até à base das vias

No meio da chuva e nevoeiro, o penoso caminho até à base das vias

Mais uma vez a terrível aproximação e mais uma vez juramos não a voltar a fazer. Visto que tudo estava bem molhado, não tivemos outra hipótese se não rentabilizar a manhã para fazer um reconhecimento mais pormenorizado.

As filmagens do Alcino

As filmagens do Alcino

Ao início da tarde, o Alcino e o Tiago começam a abrir uma fissura ao lado da via “Parto Bravo”. Esta fissura começa novamente com um pequeno extraprumo que estava bem mais sujo e com mais pedras soltas e no início a progressão torna-se lenta. O Alcino vai recorrendo ao artificial na esperança de assim facilitar a tarefa e, por fim, quando a parede começa a tombar, a escalada torna-se mais fácil e a progressão mais rápida, embora com os dias curtos já a noite toma conta do dia.

Alcino e Tiago no início da abertura da via Paparazzi

Alcino e Tiago no início da abertura da via Paparazzi

Algumas rochas instáveis mesmo por cima

Algumas rochas instáveis mesmo por cima

Já depois do extraprumo

Já depois do extraprumo

No final a via entra num sistema de fissuras em que a rocha não está muito sólida o que obriga a alguma prudência, principalmente para quem abre uma via e ao mesmo tempo escala no escuro! Aproveitamos o top da via “Parto Bravo” e, devido à má comunicação, somos obrigados a subir jumareando. A viagem não tinha sido em vão: surgia pelas mãos do Alcino e do Tiago a via “O Paparazzi”, uma fissura simpática de autoprotecção tendo como único ponto fixo o top.

Paparazzi - a via junta-se no top à Parto Bravo

Paparazzi – a via junta-se no top à Parto Bravo

A noite aproxima-se

A noite aproxima-se

Estava na altura de rumar até ao restaurante Varanda da Estrela!

Muito material e muita tralha; agora vamos ao Varanda da Estrela!

Muito material e muita tralha; agora vamos ao Varanda da Estrela!

Na manhã seguinte, enquanto organizava o material que serviria para ajudar na progressão, analisava mais uma vez o possível caminho que, embora evidente, não deixava de ser intimidante. A parede apresenta-nos duas fissuras paralelas mas, na realidade, quase sempre progride-se só por uma.

A aproximação por cima bem mais fácil com um rappel de 60m

A aproximação por cima bem mais fácil com um rappel de 60m

O início foi realmente complicado, a sujidade e o acentuado extraprumo obrigam-nos a recorrer ao truques mais complexos da escalada artificial, existe sempre uma fissura que ultrapassa um tecto e a partir daqui a fissura torna-se bem mais estreita até acabar na primeira reunião. A complexidade tinha-nos feito gastar as preciosas horas até ao limite e, assim que alcanço uma pequena plataforma, coloco 3 pitões que me possibilitam um rapel até à base da vida, não sem antes fazer uma rápida limpeza que certamente tornará a próxima ascensão bem mais fácil. Finalmente o “Fogo de Pandora” tinha sido ateado, este menos revelador do que aquele fogo que em 2010 destruíra toda esta zona.

Sérgio a preparar-se para a batalha!

Sérgio a preparar-se para a batalha!

O primeiro largo todo em artificial!

O primeiro largo todo em artificial!

Note-se o extraprumo pela 3 corda!!

Note-se o extraprumo pelo martelo

Quase no final do primeiro largo

Quase no final do primeiro largo

Ao contrário das outras duas vias que se encontram na parede do lado, a “Fogo de Pandora” tem um nível técnico e psicológico bem mais elevado, embora no processo de abertura não tenhamos ficado com a mínima ideia do grau da via; apenas sabemos que se trata de uma bela via de autoprotecção que percorre uma fissura com mais de 40 metros!

Nesta pequena reentrância, Sérgio decide que por hoje está feito.

Nesta pequena reentrância, Sérgio decide que por hoje está feito.

É nosso desejo regressar em breve para ver que surpresas estão reservadas!

Um final de dia soberbo na Serra da Estrela

Um final de dia soberbo na Serra da Estrela

Sérgio Duarte

 
A DUAS FACES, empresa especializada em web design, apoia o Blog Chinelo de Meter o Dedo.

Responses

  1. […] o desafio da edição, surge o primeiro teste: “Serra da Estrela novas Vias, Paparazzi e Fogo de Pandora”, seguindo-se a experiência de filmar em falésia numa das idas a Poios (vídeo para […]

  2. […] o desafio da edição, surge o primeiro teste: “Serra da Estrela novas Vias, Paparazzi e Fogo de Pandora”, seguindo-se a experiência de filmar em falésia numa das idas a Poios (vídeo para […]


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