NOTÍCIAS FRESQUINHAS!
O cume! Para mim, sem dúvida, o mais importante é mesmo o caminho percorrido para lá chegar, caminho esse que pode ser de 8 anos!
Como tudo pode mudar quando existe um processo de experiência adquirida.
O cume! Para mim, sem dúvida, o mais importante é mesmo o caminho percorrido para lá chegar, caminho esse que pode ser de 8 anos!
Como tudo pode mudar quando existe um processo de experiência adquirida.
Na categoria Escalada, Montanha | Etiquetas:almanzor, alpinismo, em neve, Escalada, Escalada Artificial, escalada clássica, Escalada em Espanha, face norte, Gredos, Montanha
E para comemorar uma data especial (que já aconteceu ainda nem época das castanhas era, excepto para aqueles vendedores de rua que ainda está calor e já as andam a assar, mas este blog andou paradito porque isto de ter um pequeno budha lá em casa não deixa muito tempo para estas coisas), nada como uns dias em terra de nuestros hermanos para um passeio, uns comes, uns bebes e, claro, uns trepes e destrepes.
E trepes e destrepes no meio de amigos, boa companhia, muitas risadas, muitos “vai lá que consegues” ou mesmo “vai lá que é um bolso”, só poderia ser a cereja no topo do bolo, ou neste caso, o “encadeamento” de um excelente dia.
Ah! E como “Ano novo, vida nova”, um compromisso para o novo ano é retomar a regularidade na escalada (já ressaco rocha e até snifo magnésio só para relembrar) e nas publicações aqui no Chinelo.
Na categoria Escalada | Etiquetas:escalada desportiva, Escalada em Espanha, escalada em rocha, monte galiñeiro, vigo
Ainda que a nossa história esteja a repleta de nomes fantásticos e termos imaginários, a protagonista é a montanha das montanhas, a rainha das montanhas Espanholas. Ainda que para nós (Alcino, Emanuel, Fred e eu, Sérgio) estar aqui parecesse um conto de fadas, as vivências aqui narradas são bem reais e felizmente, depois de muito sonharmos, a viagem até aos Picus acabou mesmo por acontecer!
“Vai ser sem dúvida este ano…” – este era o plano para o final do Verão de 2010. Mas, a paternidade revelou-se prioritária e uma experiência bem mais real!
Finais de Julho 2011 parecia-nos fantástico. A ideia era fugirmos das romarias de Agosto e, se possível, apanharmos condições atmosféricas mais favoráveis. Por isso, estava decidido e era altura de fazermos os nossos planos.
Na verdade, a via “Amistad com El Diablo” na face Este foi sempre o meu principal objectivo.
Rapidamente passou a semana e num piscar de olhos estávamos nós carregados com mais de 20kg às costas e com um ambiente que, ainda que húmido, era perfeito para este tipo de aproximação.
O caminho de aproximação ao Refúgio Veja de Urrielo é, para quem nunca andou por estas paisagens, uma belo exemplo do que os Picus de Europa têm para oferecer. Picos de calcário cinzento que se erguem de pequenos prados verdejantes abruptamente, como que a apontar para o céu. Não sendo montanhas muito altas são sem dúvidas paisagens com um aspecto austero e agreste que merecem muito respeito. A marcha de aproximação é um belo passeio, sempre acompanhados por uma banda sonora proporcionada pelos rebanhos que pastam tanto nos terrenos mais escarpados como nos pequenos bosques de faias que podemos deslumbrar pelo caminho. Não fosse o excesso de peso e este tinha sido um delicioso passeio.
Embora se tratasse da minha segunda visita esta era a primeira vez que tinha a oportunidade para me regalar com as vistas; o tempo característico dos Picus tinha-nos privado da primeira vez.
A ideia era bivacarmos junto do refúgio e fazermos a nossa vida em total autonomia e a pequena tenda que carinhosamente transportávamos era apenas para uma eventualidade que acabaria por surgir logo no primeiro dia. Como já é hábito, as Astúrias oferecem uma meteorologia única que pode mudar em poucos minutos, embora nada fizesse prever que quatro marmanjos tivessem que passar várias noites numa tenda minúscula que devidos às chuvas torrenciais e sensação térmica que ao rondar os 0ºC não convidava ao bivaque. Mas afinal onde para o verão?
O Alcino e Emanuel decidem estrear-se no Naranjo com a clássica “Direta dos Matinez” enquanto eu e o Fred decidimo-nos pela via do “Paso Horizontal”. Não deixa de ser impressionante que esta via que nos oferece um ambiente único foi aberta em 1928 em solitário pelo herói de Manuel Martinez. O primeiro largo é simples e conduz-nos por um esporão onde é fácil proteger o segundo largo. É algo que não esperávamos encontrar nesta via e o Fred inicia-o, revelando-se um espectacular largo de fissura (neste caso em canelizo), de início quase vertical e termina praticamente 40 metros depois. O famoso largo do passo horizontal, uma bela travessia que, embora seja fácil de proteger, nos oferece um ambiente muito particular, levar-nos-ia ao encontro das únicas pessoas que escalavam o Naranjo nesse dia: o Emanuel e o Alcino.
Enquanto isso, eu e o Fred andávamos na azáfama de tentar descobrir o nosso percurso vertical para as próximas horas: “El Vuelo del Dragon”. Uma via de estilo moderno que percorre uma das partes mais verticais da parede, com zonas de aderência e onde o excelente calcário do Naranjo chega aqui às 5 estrelas, recomendada por muitos guias e que era descrita como uma pequena pérola, pequena pela sua dimensão mas grande em emoções, com um largo, considerado por muitos, um dos melhores do Naranjo. Esta foi uma das últimas vias abertas nesta face, obra dos criadores da famosa “Amistad” e “Capricho de Venus”. Tínhamos pela frente quatro largos que possibilitam no final sair por cima pela Via Nani ou rapelar até ao chão.
Preparados para iniciarmos a via, o Fred dá uma última vista de olhos aos antigos croquis e pronuncia uma frase que me abalaria: “O segundo largo é teu pois eu não vou escalar 30metros com um só seguro…”. Engoli em seco e decidi mostrar-lhe que não poderia ser, tinha que estar enganado, por norma analiso bem os cróquis. Segundo parece, deixei-me deslumbrar pelas belas descrições e desleixei-me na análise dos croquis: o segundo largo da via contava apenas com um ponto seguro num muro de trinta metros, numa escalada de aderência em ambiente hostil. Eu sabia que o anunciado V grau poderia ter um aspecto simpático nos croquis mas na realidade no Naranjo as coisas não são assim tão lineares. O Fred escala exemplarmente o primeiro largo que conta com 3 pontos fixos, algumas passagens periclitantes e um tecto que tinha que ser contornado onde teríamos que montar a primeira reunião. Após escalar este largo de segundo tive a certeza que não me poderia fiar nas cotações ou, pelo menos, eu ainda não tinha a destreza necessária para escalar nesta montanha. Estava na altura de eu enfrentar os meus demónios e evitar todos os vuelos possíveis.
40 metros de rocha fantástica, movimentos atléticos e passes de desportiva, fazem deste um dos melhores largos que já escalei. Conta com apenas 7 parabolts e um pitão, mas aqui já temos possibilidade de meter um ou outro ponto. Se vamos com a ideia de escalar à vista e encadear à primeira não encontraremos grandes hipóteses de descansar. Bidedos, regletes generosas, passes aleatórios, aplats, passes de ombro e o crux, que era nada mais do que uma reglet invertida para a mão direita e uma reglete para mão esquerda, subir bem os pés em aderência, confiar e bloquear forte para alcançarmos uma presa generosa que levaria a melhor sobre mim. Ainda antes de chegarmos à reunião encontramos uma fissura que se escala em oposição, com os pés em nada, a fazer lembrar as belas escaldas da Peneda com ambiente e onde um voo nos leva a uns 10 metros mais a baixo. Aqui meto um friend já no limite e sigo para a reunião com uma fantástica sensação. Escalando já na gélida sombra, o Fred escala este longo largo e rapidamente se coloca a meu lado. O próximo largo apresenta uma escalada mais tranquila, com boa presa mas sempre vertical e atlético.
Em rappel, fugimos, com toda a pressa, da sombra até alcançarmos de novo o solo horizontal, que nos oferecia, num só, um belo sol de final de tarde e um belo posto para observar as andanças do Alcino e Emanuel.
No dia seguinte aparecia a nossa montanha, bem molhada, por entre as baixas nuvens e, desta forma, nos retirava qualquer hipótese de tentar a nossa primeira experiência na Majestosa face Oeste.
Estava na hora de voltarmos ao carro e sucessivamente a casa, mas colocava-se a questão: “Regressaremos um dia para viver mais uma história de conto de fadas?” Só o destino o dirá, mas o que podemos afirmar é que estes 4 viveram felizes até a próxima aventura.
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Esta é a história de 4 lenhadores pobres que decidem partir em busca de uma vida melhor, ainda que para isso tenham que enfrentar os seus maiores receios: liberar Sua Majestade que se encontra aprisionada.
Dragões, diabos, seres da noite, nevoeiros densos, tempestades, um mundo de incertezas e ilusões fazem desta uma história tão banal quanto possível.
Estes 4 humildes campónios vão viver aventuras, tentar vencer os seus terrores e acabam por descobrir que o medo não lhes assiste e que são dotados de poderes até aí desconhecidos.
Conseguirão eles concluir os seus objectos?
Brevemente
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Ainda no último post falávamos de beber das bravuras dos outros sendo isso a nossa inspiração e, hoje, apercebemo-nos que uma das pessoas que mais nos inspira acabou de nos deixar.
Walter Bonatti representa a verdadeira essência do que deveria ser o espírito da montanha e sem ele esta fica certamente mais pobre.
Não vamos falar dos seus feitos que são sem dúvida únicos, mas sem dúvida que a sua ética e audácia merecem lugar de destaque pois é aqui que assenta grande parte da nossa admiração.
Se quiserem saber mais sobre esta personagem icónica da hisyória do alpinismo podem ver mais aqui e aqui.
Eis uma personagem que vai continuar bem viva sempre que pensarmos no mais puro que a montanha nos oferece.
Pelo menos para nós ele vai continuar ai num qualquer pilar ou cume!
Descanse em paz
Bem, não era isto que eu esperava e tentei dar o meu melhor, falando-lhe das minhas experiências nos Pirenéus, Alpes e, claro, as nossas montanhas: Peneda, Gerês, Serra da Estrela, Serra do Sicó entre outras.
Aproveitei para falar do meu percurso desde o início, fazer referência ao que poderemos considerar as várias disciplinas em que se divide o montanhismo e ainda algumas dicas úteis para se iniciarem, bem como contactos importantes e interessantes.
No final, e antes da surpresa, ainda tivemos tempo para ir ao pavilhão e, desta forma, fazer as honras de experimentar uma pequena parede de escalada que, devido à falta de uso e manutenção, estava um pouco desgastada (Quem sabe depois disto ponderaram melhor a sua utilização).
No final tinham reservado para mim uma pequena caminhada pelos belos bosques que a Lixa tem para nos oferecer. Foi uma bela surpresa, o trilho estava bem marcado e notava-se o interesse e empenho de alguns alunos nesta actividade.
Acabou por ser uma experiência muito enriquecedora e interessante. Só espero ter correspondido às expectativas dos presentes.
Dias depois acabei por saber que fui motivo de conversa em casa por dias a fio. É bom saber que por vezes podemos fazer alguma diferença!
No final ficam duas experiências enriquecedoras que certamente vão permanecer na minha memória, tal como outras aventuras… verticais!
Contexto das Palestras e Agradecimentos:
Escola Secundária de Vila Cova da Lixa
Disciplina: Educação Física
Módulo 13 “Actividades de Exploração da Natureza”
Prof. organizadores: Luís Fiunte, Daniel Barbosa, Fernando Peixoto, Ana Costa
Prof. acompanhantes: António Pimentel, Maria João Mendes, Maria José Teles, Maria Otília Pereira e Natália Coelho
Escola Básica de Matosinhos
Turma 7º H do ano lectivo 2010/2011
Prof. organizadora: Manuela Moreira
Disciplína: Formação Cívica
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Enquanto alguns post’s se encontram na forja, à espera de serem martelados e moldados com a finalidade de verem a luz do dia, deixamos neste espaço um vídeo que, não sendo recente, não deixa de ser tremendamente inspirador.
Desta vez, não há cume. Mas nem sempre uma grande aventura e um grande feito se resume ao cume. Sendo o cume um bónus, a grande vitória é voltar são e salvo e com motivação para tentar mais uma vez…
Este documentário não só está interessante na sua realização, como também na fotografia e ilustração. Vale a pena perder alguns minutos a absorver!
Divirtam-se para já com Samsara, pois em breve teremos sequela: os protagonistas ponderam voltar ao Meru!
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A grande maioria das pessoas quando pensa em férias e descanso pensa em praia, esticar o corpo ao sol e pura e simplesmente não ter regras nem mesmo horas para nada. Nós aqui no Chinelo não somos muito diferentes…
Como o comum dos mortais escolhemos a Ericeira pelas suas praias e, como não somos diferentes, assim o fizemos (e levamos a prancha, livros e alguns brinquedos).
Esticamos o corpo ao sol nas encostas de Casal Pianos/Magoito (e levamos os friends, entaladores, cordas e afins). Sem regras, sendo que era obrigatório chegarmos ao top, não tínhamos outra solução senão terminar todas as vias nas tão merecidas argolas. Descansar (a cabeça), podemos dizer que sim. Quanto a relaxar, existiram momentos bem tensos e repletos de adrenalina!
Graças ao feriado de Corpus Christi e a grande festa de S. João no Porto o último fim-de-semana teve cheiro a mini férias.
A necessidade de desligar e de, na verdade, conseguirmos passar momentos completamente abstraídos, faz com que nos atiremos às nossas actividades de corpo e alma e desta vez, para não variar, assim o fizemos. Além disso, era também altura de dedicarmos tempo de qualidade ao nosso pequeno Budha.
Sem dúvida que Casal Pianos é um local sem igual em Portugal, quer pela paisagem, quer pela rocha não muito comum (Basalto) e quer pelo estilo de escalada. Para começar é simplesmente maravilhoso imaginar fissuras perfeitas, uma forma tão perfeita criada pela natureza e que nem sempre temos a possibilidade de encontrar, pelo menos em tão grande número. A rocha e o tipo de escalada são tão surpreendentemente diferentes que o nosso ego é esmagado sempre que nos metemos numa via nova, (e eu que o diga quando me decidi seguir o conselho de um Espanhol que me recomendou a “Torre de Tranga”).
Embora tivéssemos escalado quase todas as vias à vista no primeiro dia (não podemos deixar de referir a fantástica “Tridente” uma via de veras única), a lição de humildade estaria reservada para o segundo dia.
Não saímos de Casal Pianos sem antes termos sacado uma presa de 5kg quase no top da via mas que carinhosamente carregamos pelo longo caminho até ao carro e depois até casa e que vai passar a fazer parte dos nossos troféus lá no jardim!
Muito haveria para escrever mas como já não estamos de férias vamos deixar-vos com as fotografias, certamente valem bem mais do que as nossas 1000 palavras.
Desta vez e mais do que nunca o Chinelo de Meter o Dedo fez parte da indumentária!
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Semanas incríveis de stress trabalho e mais trabalho, sem tempo para respirar fazem-nos desejar mais do que nunca o fim-de-semana, embora nem sempre o fim-de-semana seja sinónimo de relaxar e abstrair.
Planeara ir fazer clássica à Serra da Estrela mas algumas surpresas desviaram os meus planos e este sábado teria mesmo que aproveitar e não deixar escapar a folga, ainda que não desse para ser na Serra uma rápida escapadela a Budiño seria mais realista.
Ui! Só o prazer de reunir o material de escalada clássica já me fazia sorrir, friends, entaladores, mosquetões, cintas, estribos, desentalador, expresses, cordas duplas, arnês, pés-de-gato, magésio, etc., etc…
Tudo isto reunido na mochila e já nós nos encontramos na paisagem de Faro de Budiño a escolher por onde começar.
Desde o encontro de escaladores que a imagem de uma fissura não me saia da cabeça e nada melhor que abrir a época balnear numa via que aparentemente não traria grandes surpresas. Calavera, uma via completa com chaminés, fissura, bavaresa e um primeiro largo de 17m sem protecção, em placa tombada, não era a melhor forma de começar, mas teve que ser.
Terminada a via tivemos que fugir ao sol abrasador e, enquanto reconfortávamos o corpo, éramos regalados com a imagem de uma fissura mítica, uma fissura que em tempos seria o expoente máximo de auto protecção desta escola. Um largo 7b, de fissura por vezes cega, com 22 metros de sofrimento que podem ser escalados inteiramente com os nossos “amiguinhos” ou então resignarmo-nos e utilizarmos os expansivos. Um sonho de fissura!
De volta à realidade, optamos por dar a hipótese ao Vítor de se iniciar nas lides do entalanço, que acabou por abrir exemplarmente a sua primeira via de clássica “Miss Ripley 6a”, com direito a surpresa no final.
Alfange era a via que nos iria tirar dali, depois de progredirmos pelos cristais e regletes ínfimas do primeiro largo e, quando avistávamos a bela fissura de 25 metros do segundo largo, eis que que o céu se fecha e as gotas começam a cair…
Estava na hora de fugir e voltar à realidade. Pena não termos escapado pelo topo da parede mas, ainda assim, saímos reconfortados com a tranquilidade que só a montanha nos consegue trazer.
Estávamos então prontos para mais uma dura semana, que passou rapidamente desta vez a sonhar coma Meadinha!
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Dois Invernos, uma Primavera, um Verão, um Outono, 12 meses passados, 14kg depois, vários suplementos alimentares, alguns (poucos) desejos estranhos, vários kms a pé, umas quantas fraldas mudadas e aqui estou eu pendurada de novo, agarrada a uma presa escorregadia e a não querer subir o pé com medo de arriscar. Será que algo mudou?
Um ano depois venho eu redescobrir a escalada na minha mais que familiar Serra do Sicó, uma paisagem que eu tão bem conheço e que tantas recordações me traz.
E pelo meio de tudo isto o que temos? A maternidade, uma aventura que a mãe natureza nos proporcionou e que chega a ser digna de um post neste Blogue de viagens, aventuras e devaneios.
Neste interregno, a cabeça enchia-se de dúvidas. Para além das mais que óbvias dúvidas da maternidade existiam as dúvidas da escalada, qual o meu estado de forma (certamente mau…), não vou ter força nos bracinhos (comecei por treinar com um bebé de 3.600kg, mas rapidamente avancei para os 8kg), vou ter um medo de morte de uma queda (sempre tive), será que vou ter na mesma aquela paixão pelo ar livre e pela montanha ou será que um ano afastada tudo mudou?
Sem dormir uma noite completa nos últimos 5 meses a ideia de me levantar a um fim-de-semana às 7.30h para ir escalar, ainda para mais com uns pingos a salpicar a janela, era certamente um pesadelo… Não, vou mas é virar-me para o outro lado e acreditar que este sonho mau vai passar!
Foi dureza mas com muito esforço lá me arrastaram para fora da cama e preparado o Matias, assim como toda a logística de escalada (sopa, papa de fruta, manta, carrinho, fraldas, etc.), lá nos pusemos ao caminho.
A velha escola da Redinha era o spot perfeito e se aqui não resultar, voltamos passados 3 anos! Mas não podíamos estar mais surpreendidos: o tempo estava fenomenal, a temperatura muito amena e um sol que aquecia corpo e alma e não fosse uma cagada até às costas e o Pipo tinha feito um pleno!
O coração a bater rápido, nó no estômago… E o nó de oito?! Será que ainda o sei fazer?! Pelos vistos é como andar de bicicleta: sai sem se pensar muito. Inato, encordo-me, calço os pés de gato (disto não tinha saudades), magnésio nas mãos e olho para aquela via que tanto trabalho e dores de cabeça me deu para encadear. Respiro fundo. Era a hora do recomeço e a hora de voltar a sentir aquele nervoso miudinho que nos percorre e nos move de presa em presa ou nos bloqueia e congela de medo até o pé ou a mão saltarem sem aviso prévio.
Depois dos primeiros passos tive uma epifania e descobri que todos os meus receios afinal não tinham razão de ser. Que bom que era estar ali e que bem que eu me sentia naquele ambiente. Claro que não parecia que tinha feito aquilo no fim-de-semana anterior, pois a força nos bracinhos já não era a mesma coisa. Mas senti-me plenamente bem a escalar, e escalar aquela via era tudo o que eu queria no momento. Passado tanto tempo ainda me lembrava dos passos, percebi que ainda me sabia mexer na rocha, afinal estava em mim, entranhou-se e pelos vistos entranhou-se para ficar. Descobri que tinha mais saudades do que imaginava e estar naquele ambiente, andar descalça na base das vias e principalmente sentir que o pequeno também estava em pleno tornou aquele dia mais que especial!
Não me podia ter sabido melhor, não podia ter corrido melhor e o inicio do Matias nesta vida ao ar livre tão saudável e tão boa foi o realizar de um sonho.
De referir que os amigos passam a ter um papel importantíssimo nesta nova etapa da vida e já não só dão dicas para superar o crux como também dão a sopa e a fruta e até mudam fraldas!
Mais dias se repetiram entretanto, em outras escolas e em outros ambientes e tem sido tão bom voltar a escalar com voltar a rever velhos amigos. Falta ainda dominar o medo, mas isso já faltava há um ano atrás. Mas isso… Isso é um projecto de uma vida. Para já vamos a projectos de uma via!
Até breve.
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